Os transtornos de ansiedade e depressão se tornaram a segunda principal causa de afastamentos do trabalho no Brasil, atrás apenas das doenças da coluna. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, o país registrou o maior número de licenças por transtornos mentais da última década. Em relação ao ano anterior, os casos de ansiedade e depressão cresceram 15%.
Especialistas apontam que o aumento das exigências no ambiente de trabalho, aliado ao avanço da tecnologia e ao uso excessivo das redes sociais, tem contribuído para o adoecimento mental da população.
Segundo o psiquiatra Rodrigo Martins Leite, professor do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, a sociedade vive uma pressão crescente por desempenho em diferentes áreas da vida.
“O aumento das demandas profissionais e acadêmicas faz com que muitas pessoas se sintam constantemente aquém das expectativas, favorecendo quadros de ansiedade e outros transtornos”, explica o especialista.
Para os pesquisadores, a tecnologia facilitou o acesso à informação e ajudou a reduzir o estigma relacionado aos transtornos mentais, incentivando mais pessoas a procurarem ajuda profissional. Ao mesmo tempo, o excesso de exposição às telas e às redes sociais pode contribuir para isolamento, dificuldades de concentração e aumento do sofrimento psicológico.
Outro ponto de preocupação é a popularização de diagnósticos feitos sem avaliação médica. Segundo Rodrigo Martins Leite, muitas pessoas recorrem às redes sociais para tentar identificar transtornos psiquiátricos, o que pode levar ao autodiagnóstico e ao uso inadequado de medicamentos.
“O diagnóstico psiquiátrico exige avaliação profissional e, em muitos casos, pode levar meses para ser concluído”, afirma.
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