O número de brasileiros deportados dos Estados Unidos bateu recorde em 2025 e praticamente dobrou em relação a 2024, segundo dados da Polícia Federal e do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC).
Pelo menos 3.294 imigrantes do Brasil foram expulsos do território norte-americano ao longo do ano – em 2024, foram 1.648, o que representa um aumento de 99,8%.
O último voo chegou ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na noite desta quarta-feira (31), com 124 deportados.
O número de 2025 é o maior desde 2020, ano de início da série histórica, e se refere aos deportados em voos fretados do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês).
Em 2025, foram 37 voos, segundo o MDHC. Um deles decolou ainda durante o governo de Joe Biden. Os demais partiram sob a gestão de Donald Trump, que tomou posse em 20 de janeiro.
Os voos fretados haviam sido interrompidos em 2006, quando o Itamaraty alterou a política de trato de brasileiros no exterior, mas voltaram a ser realizados em outubro de 2019, durante a primeira gestão de Trump, com aval do então presidente Jair Bolsonaro (PL). De lá para cá, mais de 10 mil brasileiros foram deportados dos EUA.
De acordo com as regras norte-americanas, estrangeiros podem ser expulsos dos EUA por entrada irregular, desrespeito às leis migratórias, envolvimento em crimes ou situações que representem ameaça à segurança pública.
Normalmente, o processo começa com prisão e segue sob responsabilidade do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
O imigrante detido pode permanecer em um centro de detenção até o julgamento ou ser expulso. Aqueles que não passaram pelo controle migratório ao entrar no país podem ser deportados rapidamente, sem passar por um tribunal migratório. Outros casos passam por análise de um juiz.