A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) chegou a classificar como “tortura” as condições em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se encontra preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília.
Nesta terça-feira (9), Michelle afirmou a jornalistas que Bolsonaro estaria sendo “torturado” por permanecer trancado na cela onde está detido, sem acompanhamento médico adequado. “Ele tem refluxo, passou por uma cirurgia de 12 horas, não tem alimentação como a nossa, precisa que ela seja fracionada. Tem todo esse cuidado que eu tenho com ele durante a noite. Ele também tem apneia, estou sempre ao lado. Tem crises de soluço. É preciso um enfermeiro dentro do quarto. Ele está sendo negligenciado, está sendo torturado”, disse a ex-primeira-dama.
Um relatório médico da Polícia Federal confirmou que Bolsonaro sofreu uma lesão “superficial cortante” no rosto, próximo às bochechas, e também no pé esquerdo, “com presença de sangue”, na madrugada desta terça-feira.
A PF, no entanto, ao contrário do que alegam Michelle e o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, afirma que Bolsonaro recebeu atendimento médico assim que a queda foi relatada à equipe médica de plantão.
Em dezembro, o ex-presidente passou o Natal e a virada do ano fora da prisão devido a uma internação para correção de uma hérnia inguinal bilateral.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido da defesa para que o ex-presidente fosse transferido para um hospital particular em Brasília.
Na decisão, o magistrado afirmou que Bolsonaro recebeu atendimento médico inicial pela equipe médica da própria PF, que constatou apenas ferimentos leves, sem necessidade de encaminhamento hospitalar.
A defesa, no entanto, apresentou um parecer do médico particular de Bolsonaro que diverge da avaliação da PF e levanta a suspeita de um traumatismo craniano leve.
Os advogados do ex-presidente levaram ao Supremo um pedido acompanhado de uma lista de exames médicos considerados necessários para averiguar as condições de saúde de Bolsonaro.