Mais de 30% dos cursos de medicina do país tiveram desempenho insuficiente no Enamed, exame nacional aplicado a estudantes do último ano, errando questões básicas do atendimento médico, como diagnóstico de dengue, dor de cabeça e prescrição de medicamentos.

O Fantástico, programa da Rede Globo, teve acesso às respostas da prova e revelou falhas em situações simples do dia a dia médico, o que ajuda a explicar o resultado preocupante para quem depende desse atendimento.

O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica funciona como um termômetro da qualidade de 351 cursos de medicina no Brasil. Mais de 39 mil alunos participaram e o resultado mostrou que mais de 30% dos cursos foram reprovados.

O Fantástico obteve com exclusividade um relatório do Inep, responsável pela aplicação do exame, que detalha erros cometidos por quase 13 mil alunos reprovados, que acertaram menos de 60% da prova.

Em uma questão considerada fácil, sobre como proceder diante de sintomas graves de dengue, como febre, dores intensas e vômitos persistentes, 66% dos estudantes erraram a resposta. Especialistas alertam que o erro pode levar ao envio inadequado de pacientes para casa, com risco de evolução para quadros graves.

Outra questão abordava dor de cabeça. O caso descrevia uma mulher de 55 anos, sem doenças crônicas, com dor persistente bilateral, alterações visuais e cansaço. A resposta correta era solicitar um exame de sangue simples para identificar inflamação nos vasos sanguíneos. Entre os reprovados, 65% erraram.

O Ministério da Educação informou que instituições com notas baixas sofrerão sanções, como proibição de novas matrículas, redução de vagas e processos administrativos para corrigir falhas pedagógicas e estruturais.

Estudantes relatam problemas na formação, como falta de hospital-escola, excesso de alunos nos estágios e professores responsáveis por várias disciplinas fora de sua especialidade, apontando a mercantilização do ensino médico.

O cenário levanta alertas sobre a qualidade da formação!.

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