Um surto de diarreia na Aldeia Escola Floresta, comunidade indígena Maxakali na zona rural de Teófilo Otoni, no Leste de Minas, mobiliza autoridades de saúde e o Ministério Público Federal (MPF).
Segundo o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), o primeiro caso foi registrado em 16 de dezembro de 2025. Em menos de 30 dias, foram 29 notificações. O alerta epidemiológico foi emitido em 7 de janeiro, quando já havia 23 casos. A maioria atinge crianças de 1 a 4 anos, seguida por bebês menores de um ano.
Atualmente, seis crianças estão internadas: cinco na UPA de Teófilo Otoni e uma, em estado mais grave, no Hospital Santa Rosália.
A Secretaria de Estado de Saúde informou que as causas do surto ainda são desconhecidas. Amostras clínicas e ambientais estão sendo analisadas para identificar agentes virais, bacterianos e avaliar a qualidade da água. Em dezembro, testes indicaram água dentro dos padrões, mas nova coleta será feita por precaução.
A Rede Sentinela descartou surto respiratório, mas o plano de contingência segue ativo.
Entre as medidas adotadas estão atendimento pediátrico semanal, contratação emergencial de enfermeiro, reforço logístico, compra de kits laboratoriais, orientações à comunidade e articulação para que crianças só recebam alta após completa recuperação.
O MPF convocou reunião emergencial com DSEI, Funai, universidades e órgãos locais para definir estratégias conjuntas. Equipes municipais estiveram na aldeia no domingo (11) e retornaram na segunda-feira (12) com atendimento especializado.
Em nota, a UPA informou que os atendimentos seguem protocolos do SUS, que a internação é definida por critérios clínicos e que não há respaldo técnico para internações preventivas indiscriminadas. A unidade afirma atuar de forma integrada com os demais órgãos no enfrentamento do surto.