A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) lidera o ranking das estatais com maior volume de dívida garantida pelo Tesouro Nacional. Com R$ 10 bilhões em empréstimos, a estatal responde por 77,6% de todas as operações de crédito que têm o Tesouro como fiador.
Em 2025, os Correios contrataram o maior empréstimo avalizado pelo Tesouro Nacional, no valor total de R$ 12 bilhões, destinado ao pagamento de obrigações em atraso da estatal, como salários, precatórios e outras dívidas. O relatório do Tesouro, porém, considera como garantidos R$ 10 bilhões desse montante.
O contrato foi assinado no fim de dezembro com um consórcio de cinco bancos: Bradesco, Itaú, Santander, Caixa e Banco do Brasil. O acordo tem prazo de 15 anos, com vencimento em 2040.
Além dos Correios, outras duas estatais federais possuem empréstimos com garantia da União, por meio do Tesouro Nacional. A Eletronuclear detém o segundo maior volume, com R$ 2,679 bilhões, o que representa 0,8% das garantias totais. Na terceira posição aparece a Eletrobrás, com R$ 197,3 milhões, equivalente a 0,1% das garantias.
Ao todo, o Tesouro avaliza R$ 12,87 bilhões em empréstimos para estatais. Somente os R$ 10 bilhões dos Correios correspondem a 77,7% desse total.
O aval do Tesouro Nacional para a operação foi condicionado à apresentação de um plano de reestruturação da empresa. Entre as medidas previstas, estão cortes de gastos e aumento de receitas, com a meta de que a estatal volte a registrar lucro em 2027.
O plano inclui um programa de demissão voluntária para 15 mil trabalhadores, sendo 10 mil em 2026 e 5 mil em 2027. Também está previsto o fechamento de mil agências dos Correios e a ampliação de parcerias com o setor privado.
De acordo com o relatório do Tesouro, o saldo devedor das garantias concedidas pela União em operações de crédito somou R$ 336,65 bilhões ao fim do terceiro quadrimestre de 2025. Desse total, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações internas (45,5%) e R$ 183,32 bilhões a operações externas (54,5%).3 h