O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou duas mulheres, de 36 e 52 anos, e um homem, de 30 anos, por suposto envolvimento em um esquema de estelionato que teria causado prejuízo aproximado de R$ 1 milhão a vítimas de Inhapim, Ubaporanga, Caratinga e Governador Valadares.

De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro, os investigados responderão pelos crimes de estelionato majorado e associação criminosa. O homem também foi denunciado por coação no curso do processo.

Segundo as investigações, o grupo atuava de forma organizada, explorando a confiança, a vulnerabilidade emocional e a religiosidade das vítimas para obter vantagens financeiras. A principal investigada teria conquistado a amizade de uma das vítimas e, posteriormente, a convencido a realizar transferências de dinheiro, contrair empréstimos e adquirir bens sob promessas de investimentos lucrativos.

Ainda conforme a denúncia, a fraude passou a envolver uma suposta corrente espiritual. A investigada alegava agir em nome de uma líder religiosa chamada “Dona Divina”, cuja existência não foi confirmada durante as investigações. Com a justificativa de afastar problemas espirituais, a vítima teria sido induzida a realizar pagamentos elevados para supostos rituais e aquisição de materiais.

O Ministério Público afirma que a vítima foi levada a financiar veículo, hipotecar patrimônio e comprar diversos bens de alto valor, como celulares, joias, móveis, eletrodomésticos, perfumes e outros produtos. Parte desses itens foi localizada e apreendida durante mandados de busca e apreensão.

As investigações apontam que os prejuízos financeiros chegam a aproximadamente R$ 1 milhão, incluindo perdas patrimoniais, bens obtidos por meio da fraude e dívidas acumuladas pelas vítimas. O caso também teria provocado graves impactos emocionais, levando uma das vítimas a necessitar de atendimento médico de urgência.

Segundo a acusação, a mulher de 52 anos teria auxiliado na ocultação de bens, enquanto o homem de 30 anos teria participado da utilização dos produtos obtidos e ainda ameaçado uma das vítimas durante a investigação.

Atualmente, a principal investigada cumpre prisão domiciliar por determinação da Justiça. Os outros dois denunciados respondem ao processo em liberdade.

O MPMG pediu a condenação dos acusados e a fixação de reparação mínima de R$ 1 milhão pelos danos causados às vítimas. O caso seguirá agora para análise do Poder Judiciário.

Na visão do Promotor de Justiça Jonas Junio Linhares Costa Monteiro, o caso revela um elevado grau de sofisticação da fraude, caracterizada não apenas pela obtenção de expressivas vantagens econômicas, mas também pela exploração da confiança, da vulnerabilidade emocional e da religiosidade das vítimas como instrumentos de manipulação psicológica. O Promotor ressalta que condutas dessa natureza exigem resposta firme do sistema de Justiça, especialmente quando resultam em graves consequências patrimoniais e emocionais.

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