Estudantes e ex-estudantes que mantiveram os pagamentos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) em dia estão pressionando o Congresso Nacional por mudanças nas regras do programa. O grupo pede que os chamados “bons pagadores” também tenham acesso a descontos semelhantes aos concedidos aos beneficiários inadimplentes por meio do Desenrola Fies.
A reivindicação ganhou força após a criação do novo Desenrola Fies, que permite a renegociação de contratos com descontos que podem chegar a até 99% do valor da dívida em casos específicos, principalmente para contratos antigos e beneficiários que atendem aos critérios estabelecidos pelo programa.
Quem sempre manteve as parcelas em dia afirma que está sendo penalizado por cumprir suas obrigações financeiras, enquanto aqueles que deixaram de pagar tiveram acesso a condições muito mais vantajosas para quitar seus débitos. O tema tem gerado ampla repercussão nas redes sociais e em fóruns de discussão, onde muitos beneficiários relatam sentimento de injustiça.
No Congresso Nacional, parlamentares apresentaram emendas à Medida Provisória nº 1.373/2026 propondo mecanismos para beneficiar os estudantes adimplentes. Entre as sugestões estão a criação de um programa específico de reequilíbrio financeiro para os “bons pagadores” e alterações na legislação para permitir descontos também a quem nunca atrasou as parcelas do financiamento.
Enquanto as propostas seguem em análise, o governo também anunciou novas medidas voltadas aos beneficiários adimplentes, como o Fies Empreendedor, que oferece acesso a linhas de crédito para quem mantém o financiamento em dia e deseja investir em um negócio próprio. No entanto, para muitos estudantes, essas iniciativas ainda não compensam os descontos concedidos aos inadimplentes.
O debate deve continuar nas próximas semanas durante a tramitação da medida provisória no Congresso, que decidirá se os benefícios serão ampliados para contemplar também quem honrou seus compromissos financeiros desde o início do contrato.